quinta-feira, 12 de julho de 2012

No meu quintal dava de tudo...


Quintal _ palco

Quando estamos exercendo o real papel de criança, podemos tudo!
Enquanto criança pude ser cantora e apresentadora, ambas famosas.
Eu era mais eu, quando gloriosa subia naquela pedra grande e de altura ideal para virar palco;
O araçazeiro que colocava-se sobre a pedra, debruçava um galho bem à nossa altura ( eu e minhas amigas ) onde eu segurava na ponta de uma das galhas para transformá-la num potente microfone; ao redor da pedra, sentavam-se as amigas para comporem a platéia.
E eu ia anunciando:
- Com vocês, Elizete Cardoso!!! E para aproveitar o nome, entrava Eliete de D. Tereza com porte mesmo de cantora e fazia sua apresentação.
Em seguida, Eliana apresentava-se imitando igualzinho a voz de Martinha;(aquela que fazia parte do time dos tremendões, da galera da jovem guarda, já ouviram falar?)
E dizia...“ Vieram me contar, que você diz que não me quer”... e ela fazia todos os trejeitos da cantora, virava a cabeça de lado e colocava uma nasalização na voz que nos deixavam a todas boquiabertas.
Edna (Tirulina) cantava o seu clássico preferido. O “Coração de Papel”. E Tirula, na inocência que lhe era peculiar, talvez para imitar Eliana, ( que para nós todas era modelo de sabedoria ) também nasalizava a voz; desta vez, o feito era desnecessário; o que tornava sua apresentação muito engraçada.
Ângela de Mané Soares, ( Sinhálea ) munia-se de toda emoção para recitar ou melhor, declamar o poema de Manoel Bandeira, intitulado: “Bandeira”. Ela aprendera o pleito com a saudosa Profª Marlene de seu Pacheco(funcionário do Banco do Brasil ). E Sinhálea tinha tudo para fazer-nos até chorar se ela mesma não acabasse chiando dela própria no meio do poema e caindo numa risada sem fim.
Fechem os olhos, e imaginem as palmas, assobios e gritos eufóricos da platéia.
Ser criança no meu tempo era realmente bom.


Lindi
Riachão do Jacuipe,18/12/08

3 comentários:

  1. Já não sei o que dizer diante do tempo que passou, não sei se ri ou se chorei, me parece tudo igual, só que envelheci, mas William Shakespeare (1564 / 1616)
    SE NADA HÁ DE NOVO

    Se nada há de novo e tudo o que há
    já dantes era como agora é,
    só ilusão a criação será:
    criar o já criado para quê?
    Que alguém me mostre, sobre um livro antigo
    como quinhentas translações astrais,
    a tua imagem, na inscrição, no abrigo
    do espírito em seus signos iniciais.
    Que eu saiba o que diria o velho mundo
    deste milagre que é a tua forma;
    se te viram melhor, se me confundo,
    se as translações seguem a mesma norma.
    Mas disto estou seguro: antigos textos
    louvaram mais com bem menores pretextos.

    Não sorria agora!... O corpo ainda não desceu ao túmulo; que o espírito ainda o comanda para andar de peito inflado numa serenidade de ganhador de Oscar pelas favelas dos carcomidos, como diz o escritor Miguel Carneiro, meu primo...

    Lindinalva, os teus cambitos engrossaram, mas teus olhos são os da mesma criança.
    Felicidades
    João Jorge Carvalho

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    1. Que lindo meu amigo João Jorge!!!
      De você eu nunca espero menos; sempre sábias citações e belas palavras.
      Obrigada e continue lendo.

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