Quintal
_ palco
Quando
estamos exercendo o real papel de criança, podemos tudo!
Enquanto
criança pude ser cantora e apresentadora, ambas famosas.
Eu era
mais eu, quando gloriosa subia naquela pedra grande e de altura ideal
para virar palco;
O
araçazeiro que colocava-se sobre a pedra, debruçava um galho bem à
nossa altura ( eu e minhas amigas ) onde eu segurava na ponta de uma
das galhas para transformá-la num potente microfone; ao redor da
pedra, sentavam-se as amigas para comporem a platéia.
E
eu ia anunciando:
-
Com vocês, Elizete Cardoso!!! E para aproveitar o nome, entrava
Eliete de D. Tereza com porte mesmo de cantora e fazia sua
apresentação.
Em
seguida, Eliana apresentava-se imitando igualzinho a voz de
Martinha;(aquela que fazia parte do time dos tremendões, da galera
da jovem guarda, já ouviram falar?)
E
dizia...“ Vieram me contar,
que você diz que não me
quer”...
e ela fazia todos os trejeitos da cantora, virava a cabeça de lado e
colocava uma nasalização na voz que nos deixavam a todas
boquiabertas.
Edna
(Tirulina) cantava o seu clássico preferido. O
“Coração de Papel”. E
Tirula, na inocência que lhe era peculiar, talvez para imitar
Eliana, ( que para nós todas era modelo de sabedoria ) também
nasalizava a voz; desta vez, o feito era desnecessário; o que
tornava sua apresentação muito engraçada.
Ângela
de Mané Soares, ( Sinhálea ) munia-se de toda emoção para recitar
ou melhor, declamar o poema de Manoel Bandeira, intitulado:
“Bandeira”. Ela aprendera o pleito com a saudosa Profª Marlene
de seu Pacheco(funcionário do Banco do Brasil ). E Sinhálea tinha
tudo para fazer-nos até chorar se ela mesma não acabasse chiando
dela própria no meio do poema e caindo numa risada sem fim.
Fechem
os olhos, e imaginem as palmas, assobios e gritos eufóricos da
platéia.
Ser
criança no meu tempo era realmente bom.
Lindi
Riachão
do Jacuipe,18/12/08
Já não sei o que dizer diante do tempo que passou, não sei se ri ou se chorei, me parece tudo igual, só que envelheci, mas William Shakespeare (1564 / 1616)
ResponderExcluirSE NADA HÁ DE NOVO
Se nada há de novo e tudo o que há
já dantes era como agora é,
só ilusão a criação será:
criar o já criado para quê?
Que alguém me mostre, sobre um livro antigo
como quinhentas translações astrais,
a tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais.
Que eu saiba o que diria o velho mundo
deste milagre que é a tua forma;
se te viram melhor, se me confundo,
se as translações seguem a mesma norma.
Mas disto estou seguro: antigos textos
louvaram mais com bem menores pretextos.
Não sorria agora!... O corpo ainda não desceu ao túmulo; que o espírito ainda o comanda para andar de peito inflado numa serenidade de ganhador de Oscar pelas favelas dos carcomidos, como diz o escritor Miguel Carneiro, meu primo...
Lindinalva, os teus cambitos engrossaram, mas teus olhos são os da mesma criança.
Felicidades
João Jorge Carvalho
Que lindo meu amigo João Jorge!!!
ExcluirDe você eu nunca espero menos; sempre sábias citações e belas palavras.
Obrigada e continue lendo.
Te adoro tia!
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