quarta-feira, 20 de junho de 2012

... Eu curando-me.

Deitava-me e no escuro do quarto sentia-me acalentada por aquele silêncio acolhedor.         Vez por outra escutava ao longe um resto de zanga vinda lá da sala, resquício de alguma peraltice... Quanto ao escurinho, este eu tratava de transformar numa paisagem encantada; e do cume do mosqueteiro, visualizava-me flutuando em meio a milhares de pedrinhas coloridas, que  ora eram pedrinhas, ora papeizinhos cortados e brilhantes.                                                                                         
      Lá estava EU, solta no espaço, dentro de uma cadeirinha toda dourada, sentindo-me uma verdadeira rainha; e reinava soberana, do alto do cone do mosqueteiro. Sozinha, mas soberana.
      Eu me olhava lá em cima, e de cá do colchão eu sorria feliz ao ver-me tão bem, sentada naquele trono de transformar tristeza em alegria.
      Aquela situação era tão reconfortante que eu ensurdecia para as vozes vindas da sala; nem me importava com o travesseiro molhado.

P.S.: ...afinal naqueles tempos, parecia-me impossível sorrir sem antes chorar.

                                       Lindi
                                       18/12/2008


2 comentários:

  1. Verdade tia, cada momento retarda um faze, lembro que tempos atraz analizava a vida de outra forma, em cada período percebemos o quanto somos pequenos e fortalece ainda mais a ideia que somos criaturas pequenas e frágeis, mais também me lembro Daquele que disse, vai e serdes perfeito,
    Assim a certeza vem quanto tenho para percorrer em busca do progresso, em cada dia uma nova etapa uma folha em branco para ser preenchido, cada dia mais velho e um pouco mais maduro, espero um dia ser capaz de ser completamente ultil para o criador, assim como o Mestre nos ensina . Espero ter colaborado um pouco com retalhos da sua infância tia, bjs

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  2. Obrigada Léo por seu comentário, volta e meia pingue por aqui, e me fará muito feliz.

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