segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Meu quintal também foi casa.

Meu quintal foi palco de muitos acontecimentos felizes também; como já narrei anteriormente, ele serviu-nos de programa de auditório e...    Nesse mesmo quintal viramos muitas vezes exímias donas de casa.
Eu e Edna (Tirulina) armávamos uma casa tão grande que chamávamos de pensão. Quando tínhamos a pretensão de brincar de hotel, Edna afanava os brinquedos de Áurea (irmã caçula) e juntávamos os “trens”.
Era maravilhoso!
 Os conjuntos de sofá, eram confeccionados por nós, com caixas de fósforos vazias e forrados com pedaços de pano colados com goma, feita no papeiro.
A fruteira era composta com frutas que eram tampas de perfume da Avon. ( umas maçazinhas lindas...)
Os quartos do nosso hotel eram imensos, (lembram-se da união dos“trens”?)  cheios de caminhas também feitas com caixas vazias, desta vez de remédio de verme (Uvilon- tomei muito, argh!)
N'algumas, tinham bonecas deitadas, e próximo a algumas caminhas, havia mesinhas de cabeceira e tapetinhos aos pés das camas.
A cozinha, tinha tripé cheinho de panelinhas, ah que saudade dos papeirinhos que vinham dentro da lata de Leite Ninho...
Nem sempre o intento de “juntar os trens” dava certo.
As vezes,( quase sempre ) inesperadamente, Áurea aparecia com cara de poucos amigos, beicinho dependurado, demonstrando sua tristeza, e de olhos marejantes proferia:
- “Edna, meus “teréns” sinha ladrona”!!!
Esta frase tinha um poder aterrador, pois significava o desmonte do hotel, regado a briga, tapas, palavrões e choro.

Ah que saudade de ter uma casa só pra mim!

Riachão do Jacuipe,
18/12/08
Lindi

12 comentários:

  1. Lindo amiga, me reportei pra esse quintal... também brincava do mesmo jeito que vc no quintal da minha casa. Saudades desse tempo bom!

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    1. É Zane querida.
      A saudade bateu forte, daqueles tempos em que a infância coloria nossos dias.
      Aí escrevi.
      Abraços.

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  2. És singela em tuas digressões!
    Carinho avantajado em coração forte
    Sem ser desbotado; pinta mais de sete cores
    em um quadrado, és um furacão!
    O Miguel Antonio já sabe que tu ta cortando pano
    Para codificar em coxas de retalhos
    Os ouros que tu conseguiu armazenar?
    Não conta pra ele não!...
    Vai rezar todo dia ao pé da santa dele
    Pra fazer confusão.
    Te reda daqui fio de um cão...
    Lascou-se!...
    Pronto, tá sarva e quem diz é Zefa Moringa!

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    1. Jorge, eu adoro os seus comentários.
      És um poeta nato.
      Abraços.

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  3. Lindi, que perfeição essa narrativa.A evolução dos personagens, foi muito bem sequenciada no tempo e no espaço.Você resgata objetos, hábitos e aspirações femininas comuns no universo popular e contemporâneo ao seu. Sim, quero afirmar que identifico todos os utensílios domésticos (papeiro do leite Ninho, tripé), móveis feitos de caixas de fósforos e de remédios (os meus eram forrados com papel camurça; a cola, era a mesma de goma).Dentro dos anseios femininos em sermos donas de casa, você e Edna, foram além, afinal administrar um hotel é muito mais complexo que uma simples casa. Sei, já tinham a visão do empreendedorismo! Pena que não tiveram a "sacada" para a incorporação. Se tivessem feito uma fusão com Áurea, teu quintal poderia ter desencadeado uma rede de hotelaria. Daí eu te pergunto, você teria essa história comovente para nos contar? Na dúvida, eu fico com essa Lindi, dotada de muita inspiração, gente boa... que aguça nosso contentamento, nos fazendo reviver momentos de felicidades. Querida, meu quintal, também já foi uma casa, só pra mim, um dia, de forma real em brincadeiras de meninas sonhadoras!
    Um beijão para você.

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    1. Bárbara querida!!!!
      Estou feliz DEMAIS por tê-la aqui no meu blog.
      Obrigada por este comentário tão legal.

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  4. Lindi, muito bom visitar e acompanhar seu blog, faz-me lembrar esta infância em que voces fizeram parte! Morri de rir com seus colóquios e apelidos ¨tirulina¨ nossa saudosa Edna, ¨Sinhaléa¨ Angela, lembro-me bem de tudo isso! Continue escrevendo e nos lembrando de toda uma história que nos é agradável aos nossos sentidos, pois, o que somos hoje é calcado em nossas reminiscencias do passado. Que tua inspiração seja sempre suave aos leitores e muito agradável a ti mesma! Grande beijo.

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    1. Valeu Kleber!!!
      Você fez história conosco em muitos momentos de nossa adolescência.
      Obrigada por estar acompanhando.
      Abraços.

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    2. Valeu Kleber!!!
      Você fez história conosco em muitos momentos de nossa adolescência.
      Obrigada por estar acompanhando.
      Abraços.

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  5. Que lindo Prima!
    Tenho cá minhas lembranças também. Que saudades!!!
    bj.
    Dulce

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  6. Oi Dulce!!!
    Que maravilha saber que vc também anda lendo meus "causos" e juntando comigo os retalhos de minha infância.
    Fico grata e muito honrada. bjs

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