sábado, 15 de julho de 2017

Férias na Fazenda Camponesa

Férias na Fazenda Camponesa

As férias de fim de ano eram esperadas ansiosamente.
Durante todo o ano, planos eram feitos para a pequena e maravilhosa temporada na fazenda Camponesa          
 Era uma farra sem precedentes.
Nos juntávamos na casa de Selminha, a filha do dono da fazenda.
Reuníamos todas no quarto e era menina espalhada por todo lado.
Eu, Luciene, Quita, Bel de D. Carmosa, Edna, Leila, etc.
As trouxas na casa de cada uma já estavam devidamente arrumadas.
Na bagagem, nada de celulares, tablets, ou computadores .
Levávamos revistas de fotonovelas, álbuns de figurinhas, saquinho contendo pedrinhas lisas do rio pra brincar , “fátima” pra pintar as unhas, biquínis pra se refestelar nos tanques e riachos da roça, uma máquina fotográfica Kodak e muita inocência camuflada de maturidade.
Ah como era bom a chegada na roça, a cancela era aberta por Seu Luiz, vaqueiro da fazenda e marido de Valmira .a quem chamávamos carinhosamente de “Babia” .
Valmir, um dos filhos do casal se colocava logo à nossa disposição,
Íamos pulando uma a uma da carroceria da C10 azul de seu Pedro São Paulo. ( In Memorian)

Babia fazia uma festa com a nossa chegada, tratava a todas nós como verdadeiras filhas, e a Selminha, como uma princesinha.

O sol brilhava, os dias eram mais lindos naqueles Dezembros de nossas férias.
Nem bem guardávamos nossa bagagem, já nos espalhávamos uma para cada lado.

Enquanto uma se “engaruptava” na cancela, a outra já entrava num armazém que servia de garagem e já saía de lá com uma cela dependurada de um lado, gritando eufórica, para  
Valmir selar os cavalos e jegues pra gente “curricar” por aí.
Nessa altura, o cheirinho bom de comida já arengava da cozinha   para além da casa, vindo ao nosso encontro cá no terreiro.

Sabe uma comida que nunca pude me esquecer? 
Foi a comida de Babia, cozido com maxixe e abóbora, hummmm
Depois do almoço, passávamos horas, sob as árvores, falando dos nossos paqueras, dos colegas da escola, dos artistas de circo que tinha ficado na nossa lembrança, e de mais um monte de coisas simples e inocentes.
No outro dia, levantávamos com as galinhas; tomávamos café e depois de grande algazarra em volta da grande mesa de madeira, partíamos para tomar banho nos açudes.
Ah, quando Bel de Carmosa arrastou de dentro de sua sacola aquele biquíni rosa, ousado, cavado da última moda, ufffffa, enlouquecemos.
Ah, vale ressaltar que Bel de Carmosa era a caçulinha da turma, mas era o que podemos chamar de “uma mulher “à frente do seu tempo.
Era linda demais e tudo o que nem sonhávamos conhecer em se tratando de moda, Bel lançava aqui em Riachão.
E começou um ritual.
Próximo ao “tanque”, tinha uma trincheira bem alta.
Subimos uma a uma para fazermos a mesma foto, com a mesma  pôse e o mesmo biquíni, o de Bel.
Não poderíamos perder a oportunidade de usar “aquele” biquíni.
Naqueles tempos, dividíamos TUDO, o mesmo biquíni, a mesma fátima, as mesmas revistas e até os mesmos paqueras. Aceitávamos, de comum acordo beijar o mesmo menino, valia tudo para uma encorajar a outra.
Numa das tardes, saímos todas a passear pela fazenda com os animais.
Eram os cavalos, os jegues e nós.
Em meio ao trajeto, eu, gaiata como sempre, me distanciei do grupo e, como estava a cavalo, saí em disparada, me sentindo uma artista de filme.
Só via o vulto das árvores que corriam a meu lado.
Num dado momento, avistei uma cancela, como era de se esperar de uma criatura curiosa e gaiata, abri, passei pro outro lado e ganhei novos rumos.
Tudo estava indo bem até que me bateu a vontade de voltar e encontrar o grupo.
Cheia de segurança, voltei a cavalgar com grande valentia. Detalhe, comecei a rodar em círculos, passava a todo instante em volta de um pequeno tanque todo engolfado, a cancela sumira como num passe de mágica.
A tarde estava caindo, tudo foi escurecendo e eu me dei conta de que estava perdida.
Meu Deus!!!!!
Bateu o medo, e com ele o desespero.
Gritei, gritei, gritei, chamava as meninas pelo nome, chamava os santos dos céus e tudo que eu ouvia era o coachar dos sapos.
Quando me vi sem esperança, apeei do cavalo, sentei no chão e segurando a rédea, com a cabeça entre as pernas, chorei e finalmente lembrei-me de orar.
Para minha felicidade, escutei ao longe, o tilintar abafado de um chocalho e vozes...
Me encontraram..
Tomei muitos esporros de todos.
Seu Pedro quase me deu uma surra, e as nossas férias acabaram mais cedo por conta de minha travessura.
Lindi 13/05/16



segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Eu Borocochô:

Ah se eu encontrasse um HOMEM nesse bordel!!!
Balela, besteira, intriga, tô procurando é briga.
Carvalhos, Castros, Carlitos, Calixtos; só nomes, calejei.
Divertem-se com a gente, dispersam-se do amor, destroem nossa vida.
Espero, me escancaro, coração estoura, estanca.
Falsas façanhas,fortuitas fofocas e pintam...
Gatos morenos, galêgos espertos com gracejos amenos.
Homens? Cadê, onde estão, quem viu?
Inesperadamente quase todas respondem: Sumiu!!!
Jazem nos bares de cabeças vazias.
Leves de consciência, leves na sua ousadia.
Marajás de bolsos vazios, maldosos nas investidas.
Naufragam vidas novas, vividas, coroas saídas.
Ô pô, não se engana, essa raça se extinguiu!
Palhaços, patetas, caras de pau, é o que substituiu.
Qual nada, só enrolação ficou.
Ratadas rasteiras, cantadas fuleiras.
Se ao menos cumprissem o que pregam...
Talvez nos dessem o Prêmio Nobel da Paz.
Ultrajam os valores da vida,
Violam o sentimento alheio.
Xacotam, pisam com força na ferida.
Zorra! nos deixa de saco cheio!!!


19 de Julho de 1989
 Tava azuada

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Perdida em meio aos retalhos...



Ah, que maldade ter estado ausente por tanto tempo!!!!
Aqui neste espaço pude interagir com muitos amigos, muitos deles foram e ainda são estampas coloridas, que depois de deitadas sobre o linho ou a chita, unem-se às histórias de minha vida, ofertando-me retalhos que num futuro bem próximo, espero eu, costuraremos numa colcha que eternizarão as experiências vividas por nós num passado já distante.
Quero dedicar essa minha volta ao blog, a uma aluna e maravilhosa escritora, Gabriela de Oliveira.
Foi papeando com ela hoje à noite que ressurgiu em mim a vontade de "costurar" outra vez.
Bjs a todos e aguardem, logo logo lhes apresentarei os "RETALHOS DE MINHA INFÃNCIA".

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Meu quintal também foi casa.

Meu quintal foi palco de muitos acontecimentos felizes também; como já narrei anteriormente, ele serviu-nos de programa de auditório e...    Nesse mesmo quintal viramos muitas vezes exímias donas de casa.
Eu e Edna (Tirulina) armávamos uma casa tão grande que chamávamos de pensão. Quando tínhamos a pretensão de brincar de hotel, Edna afanava os brinquedos de Áurea (irmã caçula) e juntávamos os “trens”.
Era maravilhoso!
 Os conjuntos de sofá, eram confeccionados por nós, com caixas de fósforos vazias e forrados com pedaços de pano colados com goma, feita no papeiro.
A fruteira era composta com frutas que eram tampas de perfume da Avon. ( umas maçazinhas lindas...)
Os quartos do nosso hotel eram imensos, (lembram-se da união dos“trens”?)  cheios de caminhas também feitas com caixas vazias, desta vez de remédio de verme (Uvilon- tomei muito, argh!)
N'algumas, tinham bonecas deitadas, e próximo a algumas caminhas, havia mesinhas de cabeceira e tapetinhos aos pés das camas.
A cozinha, tinha tripé cheinho de panelinhas, ah que saudade dos papeirinhos que vinham dentro da lata de Leite Ninho...
Nem sempre o intento de “juntar os trens” dava certo.
As vezes,( quase sempre ) inesperadamente, Áurea aparecia com cara de poucos amigos, beicinho dependurado, demonstrando sua tristeza, e de olhos marejantes proferia:
- “Edna, meus “teréns” sinha ladrona”!!!
Esta frase tinha um poder aterrador, pois significava o desmonte do hotel, regado a briga, tapas, palavrões e choro.

Ah que saudade de ter uma casa só pra mim!

Riachão do Jacuipe,
18/12/08
Lindi

quinta-feira, 12 de julho de 2012

No meu quintal dava de tudo...


Quintal _ palco

Quando estamos exercendo o real papel de criança, podemos tudo!
Enquanto criança pude ser cantora e apresentadora, ambas famosas.
Eu era mais eu, quando gloriosa subia naquela pedra grande e de altura ideal para virar palco;
O araçazeiro que colocava-se sobre a pedra, debruçava um galho bem à nossa altura ( eu e minhas amigas ) onde eu segurava na ponta de uma das galhas para transformá-la num potente microfone; ao redor da pedra, sentavam-se as amigas para comporem a platéia.
E eu ia anunciando:
- Com vocês, Elizete Cardoso!!! E para aproveitar o nome, entrava Eliete de D. Tereza com porte mesmo de cantora e fazia sua apresentação.
Em seguida, Eliana apresentava-se imitando igualzinho a voz de Martinha;(aquela que fazia parte do time dos tremendões, da galera da jovem guarda, já ouviram falar?)
E dizia...“ Vieram me contar, que você diz que não me quer”... e ela fazia todos os trejeitos da cantora, virava a cabeça de lado e colocava uma nasalização na voz que nos deixavam a todas boquiabertas.
Edna (Tirulina) cantava o seu clássico preferido. O “Coração de Papel”. E Tirula, na inocência que lhe era peculiar, talvez para imitar Eliana, ( que para nós todas era modelo de sabedoria ) também nasalizava a voz; desta vez, o feito era desnecessário; o que tornava sua apresentação muito engraçada.
Ângela de Mané Soares, ( Sinhálea ) munia-se de toda emoção para recitar ou melhor, declamar o poema de Manoel Bandeira, intitulado: “Bandeira”. Ela aprendera o pleito com a saudosa Profª Marlene de seu Pacheco(funcionário do Banco do Brasil ). E Sinhálea tinha tudo para fazer-nos até chorar se ela mesma não acabasse chiando dela própria no meio do poema e caindo numa risada sem fim.
Fechem os olhos, e imaginem as palmas, assobios e gritos eufóricos da platéia.
Ser criança no meu tempo era realmente bom.


Lindi
Riachão do Jacuipe,18/12/08